O Flamengo notificou empresários nos últimos dias sobre o adiamento de comissões pactuadas até o fim de 2026 para o ano de 2027, alegando necessidade de reorganização financeira. A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) reagiu enviando ofício à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) pedindo inclusão dos agentes no sistema de fair play da CBF — movimento que pode expor clubes inadimplentes a punições esportivas.
A medida rubro-negra coincide com a postura cautelosa no mercado após o investimento de R$ 315,7 milhões na contratação do meia Lucas Paquetá. O presidente Luiz Eduardo Baptista confirmou as renegociações, afirmando que algumas condições contratuais anteriores “não pareciam razoáveis” para a gestão atual.
Clube alega reorganização e adia valores pactuados
O departamento de negociação e contratos do Flamengo enviou série de e-mails aos empresários informando que “identificou-se a necessidade de renegociar e reprogramar determinados pagamentos relacionados às comissões pactuadas até o final de 2026”. Em outra mensagem, o clube foi direto: “os pagamentos pendentes de 2026 serão postergados para 2027“, sem detalhar o novo cronograma.
Em entrevista ao canal Vene Casagrande no YouTube na semana passada, Bap justificou a postura:
É possível (renegociação) porque em alguns casos a gente entende que as condições não eram necessariamente adequadas. A vantagem é o seguinte: como o Flamengo paga, tem credibilidade na praça. Pergunta para esse empresário se ele está recebendo de todo mundo em dia? Ou se ele está recebendo? Ele sabe que não. Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo. Pode fazer negócio com os outros clubes, não tem problema.
— disse Luiz Eduardo Baptista ao canal Vene Casagrande
O presidente reforçou que contratos com condições “não razoáveis” estão sendo revistos pela diretoria.
Agentes pedem inclusão no fair play da CBF
A Abaf enviou ofício ao presidente da Anresf, Caio Resende, solicitando que empresários sejam incluídos no Sistema de Sustentabilidade Financeira — o fair play criado pela CBF este ano. No documento, a associação argumenta que “a gravidade do episódio se acentua pelo fato de o Flamengo ser, reconhecidamente, o clube em melhor situação financeira do futebol brasileiro”.
Atualmente, empresários podem cobrar dívidas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF ou na Justiça Comum. Caso a Abaf entre para o fair play, os agentes poderão acionar a Anresf diretamente — e clubes inadimplentes correm risco de punições esportivas, como perda de pontos ou impedimento de registrar jogadores.
A associação alerta para “risco sistêmico” no futebol brasileiro: “Se mesmo a agremiação mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente o cumprimento das obrigações já pactuadas com agentes, o risco para os demais clubes é consideravelmente maior”, diz trecho da carta assinada pelo presidente Jorge Moraes.
Medida já foi adotada no início de 2025
Esta não é a primeira vez que o Mengão adia comissões de empresários. No início de 2024, logo após Bap assumir a presidência com cerca de R$ 3 milhões disponíveis nos cofres, o clube fez movimento similar para aumentar o fluxo de caixa.
Agora, a renegociação ocorre em momento de cautela financeira após o alto investimento em Paquetá — o custo total da operação foi de R$ 315,7 milhões, sendo cerca de R$ 155 milhões à vista. Publicamente, a diretoria já sinalizou que o impacto da contratação limita o poder de compra do clube na atual janela de transferências.
A Abaf enviou cartas à Anresf no início de julho, reforçando a demanda de inclusão no fair play. A segunda carta trouxe relato específico da situação no Flamengo, classificando o caso como “urgente” e pedindo proteção aos agentes diante de “suspensão unilateral” de obrigações contratuais.
Via Ge Flamengo.
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