Marcos Braz, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, revelou os dois principais obstáculos enfrentados pelo clube na busca por reforços de alto nível: a violência no Rio de Janeiro e o receio dos jogadores em disputar posição com titulares consolidados, como Arrascaeta, segundo o Coluna do Fla. O cartola detalhou as dificuldades no processo de convencimento de atletas europeus e suas famílias em entrevista concedida na sexta-feira (3).
A declaração ocorreu durante live pré-jogo do amistoso entre Flamengo e River Plate (ARG). Braz comandou o departamento de futebol rubro-negro a partir de 2019, período marcado por negociações complexas com jogadores estrangeiros.
Violência no Rio pesa na decisão de jogadores europeus
Braz foi direto ao apontar a segurança pública como fator determinante nas negociações. “Em relação à violência na cidade, isso não tem como não ter que convencer a família do jogador. Hoje, o principal problema é esse”, afirmou o ex-dirigente.
O cartola citou casos concretos: a contratação de Filipe Luís em 2019 exigiu trabalho intenso de convencimento, já que a esposa do lateral, espanhola, tinha preocupações sobre a vida social no Rio. Situação semelhante ocorreu com Pablo Marí, cuja negociação quase foi cancelada pelo mesmo motivo.
Em relação à violência na cidade (Rio de Janeiro), isso não tem como não ter que convencer a família do jogador. Hoje, o principal problema é esse.
— disse Marcos Braz ao Coluna do Fla
Medo de ser reserva de Arrascaeta afasta alvos de qualidade
O segundo obstáculo revelado por Braz é de ordem esportiva: jogadores consolidados na Europa recusam vir ao Flamengo por temer a condição de reserva. “Eu sempre tive dificuldade para trazer jogador da mesma qualidade e nível do Arrascaeta. O cara que tá bem no seu time, ganhando bem, na Europa, não queria vir para disputar uma posição que, provavelmente, seria reserva”, explicou.
O caso mais emblemático foi Gustavo Scarpa, hoje no Atlético-MG, que recusou proposta rubro-negra justamente por não aceitar a condição de suplente do uruguaio. Desde 2019, a busca por um reserva à altura de Arrascaeta virou tema recorrente no noticiário do clube, conforme divulgado pelo Coluna do Fla.
Carrascal como exemplo de superação da barreira
Apesar das dificuldades apontadas por Braz, o colombiano Carrascal provou em 2025 que é possível vencer o desafio. Contratado para ser reserva de Arrascaeta, o meia desempenhou tão bem que o técnico Filipe Luís encontrou forma de escalar ambos simultaneamente.
Carrascal teve papel fundamental na campanha de títulos do Flamengo em 2025, mostrando que jogadores com confiança no próprio potencial conseguem conquistar espaço mesmo em elenco qualificado. O caso serve de referência para futuras contratações que enfrentem o dilema da disputa por posição.
Gestão Boto enfrenta os mesmos desafios
Com a saída de Braz e a chegada do português José Boto como diretor de futebol, os obstáculos permanecem. A violência urbana e a resistência de jogadores em aceitar status de reserva continuam no radar da diretoria rubro-negra nas janelas de transferências.
A entrevista completa de Marcos Braz está disponível no canal do Coluna do Fla no YouTube, na live que antecedeu o amistoso Flamengo x River Plate realizado em solo português na última sexta-feira.
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