Hernane Brocador, campeão da Copa do Brasil de 2013 pelo Flamengo, revelou em entrevista exclusiva ao Coluna do Fla um forte arrependimento sobre a saída do Rubro-Negro em 2014. O artilheiro, que marcou 45 gols em 87 jogos pelo Mengão, detalhou os problemas graves enfrentados no Al Nassr, da Arábia Saudita, incluindo quatro meses sem receber e retenção de passaporte.
A conversa com o jornalista Rock Hudson trouxe à tona os bastidores da decisão que interrompeu uma trajetória vitoriosa no futebol brasileiro. Hernane também avaliou o elenco atual do Flamengo e afirmou que, com base nos números, seria titular absoluto na equipe de 2026.
Bastidores da saída: atrasos, passaporte retido e treinos ruins
Hernane não poupou detalhes ao descrever a experiência frustrante no Oriente Médio. O atacante revelou que já tinha conhecimento dos problemas do Al Nassr antes de assinar, mas subestimou a gravidade da situação.
Sim, me arrependo, porque fui para um clube que, para falar a verdade, eu já sabia como era. Sabia que era um clube enrolado, que tinha problemas e tudo mais. Eu chego lá e acontece o mesmo problema que vários jogadores tiveram. O próprio Matheus, filho do Bebeto, me falou: ‘Hernane, meu pai jogou nesse clube, e os caras têm problema de atraso de pagamento’. E não é por falta de dinheiro, não. Eles fazem de sacanagem.
— disse Hernane Brocador ao Coluna do Fla
O artilheiro relatou que jogadores sauditas ficavam oito ou nove meses sem receber, mas não podiam reclamar, pois o príncipe ‘queimava o cara’. Hernane passou quatro meses sem salário e teve o passaporte retido por mais de 30 dias, impedindo qualquer tentativa de deixar o país.
Lá, se o dirigente olha para a sua cara e não gosta de você, esquece. Te tira do time, traz outro e tchau. É assim. Se estiverem te devendo, mandam você reclamar na FIFA. Eles têm dinheiro e têm poder. Os caras lá são complicados.
— revelou o ex-atacante
Além dos problemas financeiros, Brocador criticou duramente o nível técnico dos treinamentos, classificando-os como “muito abaixo” do padrão brasileiro. A combinação de fatores levou ao arrependimento definitivo sobre a saída do Flamengo.
Números no Mengão: média de um gol a cada dois jogos
Ao revisitar a passagem pelo Rubro-Negro entre 2012 e 2014, Hernane reforçou a consistência que o tornou ídolo da Nação. Com 45 gols em 87 partidas, o atacante manteve média impressionante e foi peça-chave na conquista da Copa do Brasil de 2013.
O artilheiro destacou que marcou contra os grandes rivais do futebol brasileiro, incluindo cinco ou seis gols contra o Corinthians. A eficiência era tão alta que, segundo ele, bastavam poucas chances para balançar as redes.
Se a gente ganhasse do Remo por 3 a 0 e eu tivesse três chances, fazia três gols. Eu provei isso contra os grandes do Brasil: fiz gol contra Fluminense, Botafogo, Vasco, os grandes do Rio.
— relembrou Hernane
Em 2013, o atacante atingiu a marca histórica de 36 gols em uma única temporada, consolidando-se como um dos goleadores recentes mais eficientes do clube.
Confiança inabalável: “Seria titular absoluto no Flamengo de 2026”
Questionado sobre a possibilidade de disputar posição no elenco atual do Mengão, Hernane não titubeou. O ex-atacante afirmou que, com base nos números e desempenho técnico, teria vaga garantida entre os titulares.
Eu seria titular com os números, titular absoluto. Eu creio que sim. Se a gente for olhar os números, quantos jogos eu tenho pelo Flamengo? São 85, 87 jogos. Tenho 45 gols, uma média de praticamente um gol a cada dois jogos. Então, se futebol for números, eu tenho. Isso é matemática, entendeu?
— explicou Brocador
O artilheiro projetou que, cercado por estrelas de peso como Pedro, Bruno Henrique e Gonzalo Plata, o rendimento poderia superar a marca de 50 gols por temporada. A declaração reforça a confiança de quem marcou época no ataque rubro-negro.
Futuro indefinido: sem clube desde abril
Hernane encerrou o contrato com o Nacional-AM em abril deste ano, mas mantém silêncio sobre uma possível aposentadoria. A trajetória do atacante inclui, além da Copa do Brasil pelo Flamengo, títulos estaduais por Bahia, Sport e Grêmio, além do prêmio Craque da Galera.
A entrevista exclusiva ao Coluna do Fla reacende o debate sobre uma das gerações mais vitoriosas do clube carioca e reforça o carinho da Nação por um dos artilheiros que ajudaram a construir a história recente do Mengão.
Via Colunadofla.
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