Leonardo Jardim completa quatro meses no comando do Flamengo com um perfil diferente dos compatriotas portugueses que passaram pelo clube. Enquanto Jorge Jesus, Paulo Sousa e Vítor Pereira eram conhecidos pela dureza, o atual técnico adotou postura de ‘paizão’ com os garotos da base — fazendo treinos separados e dando atenção individual aos jovens do Ninho do Urubu.
Nascido em Barcelona, na Venezuela, Jardim é filho de imigrantes portugueses que retornaram a Portugal ainda na infância dele, fixando-se na Ilha da Madeira, Jardim carrega experiência em três continentes e seis ou sete países. A bagagem multicultural, segundo ele, ajuda a entender melhor o perfil do elenco brasileiro.
Vivência em três continentes molda estilo de Jardim
A trajetória do treinador começou como professor de educação física na Associação Desportiva da Camacha, na Ilha da Madeira — terra natal de Cristiano Ronaldo. Entre 2000 e 2008, foram três anos como auxiliar e cinco como técnico do time principal. Depois, desbravou Portugal (Chaves, Beira-Mar, Braga, Sporting), passou pela Grécia no Olympiacos, teve passagem marcante no Monaco e rodou o futebol árabe (Al-Hilal, Shabab Al-Ahli, Al-Rayyan, Al Ain) antes de chegar ao Brasil pelo Cruzeiro em 2025.
Vivendo em três continentes e seis ou sete países diferentes, Jardim trabalhou com várias nacionalidades. Essa experiência multicultural o permitiu perceber as coisas com mais razão e menos emoção, reconhecendo que pessoas que recebem carinho entregam seu melhor. No Flamengo, encontrou um grupo de profissionais muito grande.
A experiência multicultural contrasta com o perfil direto e duro de outros portugueses que passaram pelo Rubro-Negro. Cuidadoso no trato, Jardim mantém exigência tática mas não abre mão do lado humano — característica que tem facilitado a integração com os jovens.
Treinos exclusivos aproximam crias do Ninho do Urubu
O técnico aproveitou a intertemporada para fazer sessões separadas com os garotos da base. Conhecido por revelar Mbappé no Monaco, Jardim tenta replicar o trabalho formador no Flamengo — passando conceitos táticos e preparando os jovens para a dinâmica do profissional.
Wallace Yan, que busca mais minutos desde a chegada do treinador, elogiou a abordagem: a conversa com o Léo é sempre direta, com explicações claras sobre o que fazer dentro de campo. O jovem segue trabalhando para ganhar mais oportunidades.
Johnny reforçou o apelido de ‘paizão’ dado ao comandante, destacando que Jardim, assim como revelou grandes jogadores, quer ensinar e trata todo mundo muito bem. Frequentemente faz treinos específicos só com os garotos da base, tudo para a evolução deles.
Daniel Thuram destacou o cuidado tático nas sessões exclusivas: o técnico separa os jogadores da base para treinar, justamente para que não entrem perdidos nos jogos do profissional, onde a dinâmica é diferente. Ele mostra como a equipe joga e explica os funcionamentos táticos.
Jardim busca primeira vitória contra o Benfica neste sábado
Neste sábado (11), às 15h30, o Flamengo enfrenta o Benfica no Maracanã — último compromisso da intertemporada em casa. Para Jardim, é chance de quebrar tabu: em oito jogos contra o clube português, o treinador acumula cinco derrotas e três empates — dois duelos pela Champions League, cinco pelo Campeonato Português e um pela Taça de Portugal.
A partida marca o encerramento do período de preparação e testes com os jovens. Agora, o técnico terá que equilibrar a filosofia de ‘paizão’ com a pressão por resultados no retorno das competições oficiais.
Comentários